Por Fred Carvalho
Damião e Jacqueline Neves, que enfrentaram a adversidade de um grave acidente automobilístico que lhes custou parte das pernas esquerdas, encontraram na corrida de rua um novo propósito de vida. O que inicialmente parecia ser muito difícil – correr com uma amputação – transformou-se em um desafio superado e uma fonte de ressignificação. “Eu achava, no início, depois da amputação, que não era possível correr. Só que aí eu me desafiei, comecei meus treinos e vi que era possível”, relata Jacqueline, cuja perseverança a levou a completar 5k, um objetivo que parecia inatingível.
O acidente, que mudou suas vidas drasticamente, ocorreu enquanto voltavam da casa do pai de Jaqueline. Ela, sempre atenta ao trânsito, percebeu um carro na contramão em uma ladeira, mas não houve tempo de alertar Damião antes do impacto. “No momento que eu fui avisar ele que vinha um carro na contramão já tinha acontecido um impacto”, conta. Damião, por sua vez, recorda ter apagado por alguns segundos e acordado com a fratura exposta, longe de Jacqueline, ambos arremessados para a mata no meio da noite. A dor do impacto persiste até hoje, mas o trauma também redefiniu suas prioridades.
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A experiência do acidente, especialmente por terem um filho pequeno na época, alterou profundamente a percepção do casal sobre o que realmente importa. “Mesmo no acidente eu só lembrava do nosso filho, o nosso filho estava com um ano e oito meses, eu só queria a Deus pra sobreviver mesmo”, desabafa Jacqueline. A fé foi um pilar fundamental para superar o momento. “Somos cristãos, a gente acredita que Deus tem um propósito para tudo. Então isso nos ajudou muito, a questão da fé”, afirma Damião, comentando que, para eles, as adversidades são apenas “mais um momento” na vida.
A presença do filho foi um fator crucial na recuperação e adaptação. Apesar das limitações físicas dos pais, ele os enxerga com naturalidade, demonstrando uma maturidade impressionante para a idade. Damião ressalta que o filho demonstra autonomia e os ajuda no dia a dia.
A corrida de rua, além de ser um desafio pessoal, tornou-se uma ferramenta de superação e socialização. Damião, que antes do acidente já corria, encontrou apoio na comunidade de corredores. Ele menciona o exemplo do professor João Maria Mendonça, que o visitou no hospital e o incentivou a retornar ao esporte, reforçando a importância do apoio social. Damião destaca a camiseta da Meia Maratona da PRF, lembrança de sua primeira prova após o acidente, onde superou suas próprias expectativas e alcançou o segundo lugar, mesmo correndo de muletas.
A mensagem principal que Damião e Jacqueline transmitem é sobre a força da mente. “Se você bota na sua mente que é possível, você consegue. O corpo vai obedecer”, enfatiza ela. Os dois acreditam que a corrida ensina sobre superação, dor e a importância de não desistir, mesmo quando se pensa em parar. Para o casal, a corrida de rua representa não apenas a reabilitação física, mas também a resiliência humana e a capacidade de encontrar alegria e propósito mesmo diante das maiores dificuldades, inspirando outros a dar o primeiro passo.




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